Contribuição da Igreja para o abolicionismo.

Lendo a revista “História da Biblioteca Nacional” encontrei um artigo de Ângela Randolpho Paiva que tem como título “A fé no social”. Este artigo relata quais foram as contribuições da Igreja para o abolicionismo. Como achei o artigo super interessante, resolvi compartilhar com vocês os principais tópicos.
A colunista Ângela Randolpho, começa e termina o seu artigo fazendo uma comparação entre a participação da Igreja Protestante no abolicionismo Americano e a participação da Igreja Católica no abolicionismo brasileiro. 
  Ângela afirmou que NÃO É DE HOJE QUE A ATUAÇÃO das Igrejas vem tendo reflexos na sociedade. O modo como o protestantismo se alastrou pelos Estados Unidos e o catolicismo pelo Brasil ajuda a entender essa relação com profundidade. Enquanto algumas Igrejas americanas, como a Batista e a Metodista se posicionavam contra a escravidão desde o século XVIII, acrescentou Ângela, Joaquim Nabuco lamentava a falta de motivação religiosa no abolicionismo brasileiro. Se o catolicismo pregava o afastamento do mundo, o protestantismo via as coisas pelo lado oposto, pois para seus fiéis, a salvação da alma estava intimamente ligada ao que eles faziam em suas vidas terrenas. 
No Brasil o catolicismo não pregava valores capazes de influenciar a conduta moral de seus seguidores. Por outro lado afirma Ângela, na mesma época nos Estados Unidos, a motivação religiosa de vários lideres  religiosos abolicionistas fez com que a escravidão fosse considerada um pecado.
Outro fator destacado por ela, é que enquanto no Brasil a Igreja católica se apoiava na monarquia, nos Estados unidos nenhuma das Igrejas protestantes representava oficialmente o Estado, assim todos os seus cultos tinham que ser independentes. Essa autonomia das igrejas protestantes frente ao Estado permitiu que a variedade e a liberdade de credos fossem preservadas. Muito diferente do que aconteceu no Brasil, que mesmo depois da proclamação da República, em 1889 – A igreja Católica continuou mantendo laços com a ordem pública. 
Só na década de 1950, a Ação Católica começou a questionar a profunda desigualdade social brasileira, o que levou alguns setores da igreja a pensar em novas formas de se praticar a religiosidade.  Nas igrejas protestantes dos EUA por sua vez o movimento “segregação racial!” liderado pelo pastor Martin Luther King Jr foi fundamental para reforçar a densidade moral de suas demandas de liberdade e igualdade nos  direitos  de cidadania para os negros. Ângela, reforça dizendo que esses fatores resultaram em cultos bem distintos, que demonstram o quanto a  religião pode gerar mudanças na sociedade e conclui dizendo que na verdade não está totalmente afastada a possibilidade de a Igreja se voltar para uma participação social mais ampla. O que ficou demonstrado, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, é que as esferas religiosas podem fornecer munição para novas reivindicações sempre que houver situações sociais de injustiça ou desigualdade.
Todos os créditos: revista “História da Biblioteca Nacional
ANGELA RANDOLPHO PAIVA – É professora da PUC-RIO e autora de Católico,  Protestante, Cidadão (UFMG, 2003).
Via: Portal Missão no Lar.

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